"Aliás, Coro & Osso canta Djavan"

Acompanhar bem de perto a rigorosa preparação do novo espetáculo do grupo vocal Coro & Osso e, de quebra, poder me arvorar em mestre de cerimônias nas três noites da temporada de lançamento na Amero's, SOREMA, são um bom motivo para eu nunca mais deixar de viver contente.

Quando eu me iniciava no ofício da animação cultural universitária (Unesp/Araraquara), criando o evento OXOUNOSSO, logo me vi recompensado com a adesão de poetas e sonhadores como Wilson Cardoso, que me falou de um grupo de artistas de sua cidade, Matão, e insistiu para que deles eu me aproximasse.

De lá para cá, foram mais de dez anos de convivência com os maravilhosos artistas interioranos do Coro & Osso, capazes de levantar o público onde quer que se apresentem, com seus múltiplos talentos, com sua capacidade invejável de trabalho e, principalmente, suas grandes qualidades cativantes como seres humanos.

Tive a oportunidade e a honra de vê-los aplaudidos de pé, nas cinco vezes em que se fizeram a atração principal do OXOUNOSSO em Araraquara. Em Matão, na casa de espetáculos Pantheon, pude vê-los dividir o palco com Cida Moreira, outra grande amiga, outra grande artista interiorana.

"Aliás, Coro & Osso canta Djavan" é o quarto espetáculo em 12 anos de uma carreira só de sucessos. Se "Palco" e "Tristeza não" já eram a prova da grande criatividade e da precoce maturidade musical do grupo, em "Os dois lados da janela" seus integrantes abraçavam também o teatro, deixando à solta todas as suas inúmeras possibilidades performáticas. Foi o início da parceria com o diretor Aristides Junho (Pegando N'Arte).

Para a pianista Leila Kfouri, "Matão deve muito a esses dois grandes gênios que são o maestro Luiz Piquera e o diretor de teatro Aristides Junho, por tudo o que eles vêm oferecendo à cidade, por fazê-la crescer, poder sonhar mais alto".

Quem viu o novo espetáculo, sabe que a eles agora se junta um outro talento fantástico: Alexandra Mariani. É ela a responsável pela apuradíssima produção gráfica do CD (capa, encarte), pelo material de divulgação (prospecto, camisetas, bonés etc.), enfim, pela criação de um visual para o primeiro registro do trabalho do grupo. É ela também a responsável, juntamente com Aristides Junho, pelas brilhantes idéias visuais que deram a cada uma das canções de Djavan uma ambientação ao mesmo tempo simples, funcional e cheia de impacto.

Cenário, figurinos, iluminação, direção de atores, uma produção à altura de um trabalho musical arquitetado ao longo de dois anos, com a primorosa escolha de repertório e os fantásticos arranjos do maestro Luiz Piquera. Na confecçãoo dos figurinos, vale destacar a participação do artista plástico e estilista Maurício Pereira.

Gosto de enfatizar que o Coro & Osso é a afirmação de uma possibilidade que a todos nos interessa muito de perto: poder produzir arte e cultura no meio em que se nasce e se vive, sem perda de identidade, sem abrir mão da alegria e dos prazeres simples da existência.

Chegar ao primeiro CD é a realização de um sonho para todo artista. O Coro & Osso, ao realizar esse sonho, ainda nos oferece uma lição de vida e crença no futuro: trabalho sério, resistência, persistência, luta pela preservação de suas raízes culturais, de seus laços geográficos e afetivos.

A recepção por parte do público que lotou a Amero's nas três noites de lançamento de "Aliás" não deixa margem a dúvidas: o espetáculo "Aliás, Coro & Osso canta Djavan" está fadado a uma longa carreira de sucesso.

O grupo soube construir com paciência e rigor a grandeza deste seu momento grandioso. Agora só nos resta esperar que o mundo, seus acasos, receba a notícia auspiciosa: Matão aplaudiu a estréia nacional de um trabalho sem concessões e que - sorte do mundo! - não abre mão de ser parceiro da elevação e da convivência apaixonada.

Zé Pedro Antunes

Professor de literatura alemã na Unesp – Araraquara
Texto publicado no Jornal Tribuna Impressa de Araraquara em Julho/2002

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